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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Hermópolis - Centros de Iniciação do Antigo Egito –Parte IV

A cidade de Thot, o Senhor do Tempo, das escrituras e images (2)dos números. Em Hermópolis, o Nun, que é o ambiente original, reflete todas as suas qualidades e características.

“Ele, o demiurgo, criou os Oito. Formou um corpo, como de um menino sagrado, que surge de um lótus no meio do Nun.”

Lucien Lamy

Ao contrário do Gênese judaico-cristão, que relata um caos primordial, na visão egípcia o Nun era uma substância indefinível, que era a fonte eterna e infinita do Universo.

images (5)O lótus tem profunda significância dentro da cultura do Nilo. Na margem deste nasciam muitos lótus, como até hoje ocorre. O lótus nasce no meio da lama e possui relação direta com a terra, água, ar e sol (fogo). Foi utilizado como símbolo dos 4 elementos, como a cruz também os representava no tempo dos faraós.

Desta forma, os Oito Primordiais, moldados dentro do oceano de matéria do Nun, constituem os quatro casais Naum e Naunet (as águas iniciais), Heh e Hehet (a infinidade espacial), Kek e Keket (a escuridão) e Amon e Amomet (os que se ocultam); Os Oito Primordiais fundem-se e manifestam-se com a forma de uma entidade divina e radiante: o Deus Rá. Rá nasce com 4 pais e 4 mães, surgindo do lótus primordial, o princípio da luz.

“ Rá é tudo. É chamado Aton-Rá em Heliópolis, Rá-Hor-Akhti em Mênfis e Amon-Rá em Tebas.”

Lucien Lamy

Os textos antigos revelam que Rá é o que produz o fenômeno da luz. Ele é o detentor do poder Divino que penetra no disco solar e confere-lhe brilho e luminosidade. Por isso devemos compreender que Ele não é o mesmo que o Sol.

“Eu sou o que fez o céu e a Terra, o que formou as montanhas e criou o que está acima.images (3)

Eu sou o que fez a água e criou as ondas celestiais ...

Eu sou o que fez o touro e a vaca ...

Eu sou o que fez o firmamento e os mistérios dos dois horizontes.

Eu quem pôs ali as almas dos Deuses.

Eu sou o que abre os seus olhos para que surja a luz.

Eu sou o que fecha os seus olhos para que se abata a escuridão sobre tudo; a cujas ordens o Nilo se transborda, cujo nome não conhecem os Deuses.

Eu sou o que fez a horas, das quais nasceram os dias.

Eu sou o que abriu a festa do ano novo, quem criou o rio.

Eu sou o que fez o fogo vivificante ...

Eu sou Khepri pela manhã. Rá ao meio-dia. Atum pela noite”

Manuscritos de Hermópolis

Por . MP Nuno Maha

sábado, 8 de outubro de 2011

Mênfis - Centros de Iniciação do Antigo Egito –Parte III

Dentro dos sigilos de Mênfis, o mito da criação imagesCA3GDS6Einiciado em Heliópolis aqui é materializado. O Deus Atum ainda se encontra dentro do plano sutil da manifestação, já que aqui Ele busca a manifestação e aqui entra a figura do Deus Ptah, o ferreiro Divino. Ptah transforma-se no fogo primordial, que confere substância dentro da Grande imagesCAO0V2QVObra realizada anteriormente. As qualidades anunciadas por Atum aqui tornam-se materializadas. Assim, Ptah dá vida às qualidades primordiais: os neterw. Como bom forjador que conhece seu oficio divino, utiliza-se da terra, ar, água para fundi-los através do fogo: a Grande Obra alcança aqui manifestação dentro deste plano.

“ Aquele que se manifestou como coração, que se manifestou como língua, semelhante a Atum, é Ptah, o remoto que deu vida a todos os neterw”                                     Shabaka, 710 a.C

Dentro da gnose egípcia diz-se que mmmo coração e a língua são os órgãos com maior poder sobre todos os órgãos, pois a língua fala o que o coração sente, desta forma Ptah através dos desejos de seu coração manifesta o verbo da criação. Dando o nome às coisas criamos a sintetização resumida de um objeto dentro deste plano de manifestação e consciência. Desta forma, criamos vida dentro de nosso mundo. Os princípios Divinos penetram em tudo através do verbo de Ptah, criando assim os minerais, vegetais e animais. Podemos verificar o princípio do verbo através da Bíblia, Srimad Bagavatam, Bhagavad-Gita, Alcorão, Torat ou mesmo nos trabalhos psicodélicos de Terence Mckenna.

imagesCAICL8ZKMênfis é o local de poder da trindade de Ptah, juntamente com Sekhmet, a poderosa e terrível leoa, e o logro de Atum, que é Nefertum. Eles o primeiro trio amoroso do Templo.

Continua com Hermópolis

Por. MP Nuno Maha

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Heliópolis–Centros de Iniciação do Antigo Egito–Parte II

Atum é o poder único. No mistério da criação, Ele é o criador. No sentido da potencialidade inerente no universo, Ele é o tudo e o nada, porém sem forma e intangível. Dentro do Nun, Ele teve que se sobrepor e, assim, projetou-se para poder diferenciar-se do Nun, em seu estado original .

imagesCA8SV4K6“Ave, Atum! Ave, Khepri, o que procede de si mesmo”

Textos das Pirâmides

Atum, de dentro das águas cósmicas, manifestou suas potencialidades divinas , com a forma de uma colina primordial.

Atum, quando se manifestou, criou oito princípios elementais primordiais: o ar e o espaço, que são representados por Shu – Elemental do Ar e do Espaço, Tefnut – Elemental do Fogo, Geb – Elemental da Terra, Nut – Elemental do Céu e os Deuses Osíris, Isis, Seth e Néftis, que são as entidades da Vida, Renovação, Morte e Ressurreição, respectivamente.

O 9º princípio é o próprio Atum, por ser a causa de tudo.

“Nenhuma destas entidades está separada dele, Atum”

Textos da Pirâmides

imagesCAU7230OUma das muitas versões da manifestação de Atum afirma que, ao passar por Heliópolis, masturbou-se e, ao permitir a “saída de sua semente”, os gêmeos Shu e Tefnut manifestaram-se no mundo.

Pelo conhecimento derivado de Thot, qual seja, pela Alquimia, podemos dizer que a semente masculina é a catalisadora. É o fogo estíptico, que é o agente coagulante da substância cósmica indefinida, conhecida no antigo Egito como Nun, a primeira substância reconhecida pelos antigos egípcios como a prima terra, que simboliza a condensação inicial.

imagesCAVOSYC8Este principio místico, ao ser levado à luz da ciência, aflora como o espermatozóide, que é a semente criadora de Atum. Possui uma cabeça, com um cauda longa, que possui 9 filamentos. O espermatozóide continua sua divisão/multiplicação em seu desenvolvimento, combinando seu crescimento em múltiplos de 9, exatamente como os elementos primordiais dos ensinamentos secretos de Heliópolis.

A ciência dos antigos e a nossa atual Ciência caminham de mão dadas. Costumo dizer que o verdadeiro misticismo também é científico, para mentes treinadas a assim reconhecê-lo. Posso dizer, como polimata, que os mistérios do antigo Egito estão, ainda, além de nossa total compreensão.

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Eu sou Um que se transforma em Dois.

Eu sou Dois que se transforma em Quatro.

Eu sou Quatro que se transforma em Oito.

E depois sou Um.

Sarcófago de Petamon

Aos buscadores de mistérios remeto o Grande Mistério:

A passagem de Um para Dois, a imediata polarização de duas forças ambíguas:

Hórus                                 Set

Positiva                              Negativa

Reflitam sobre o que nós divide.

Proxima - Mênfis

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os Centros de Iniciação do Antigo Egito

A antiga cultura egípcia remete-nos a certas perguntas muito bem colocadas por Lucien Lamy, ao falar dos imagesCAL9C24Rmistérios egípcios:


· Como descrever o indescritível?


· Como demonstrar o indemonstrável?


· Como exprimir o inexpressável?


· Como fixar o instante fugidio?


Quando o dualismo não se manifestava no tempo e espaço havia apenas uma unidade: dia e noite, sim e não, vida e morte, alto e baixo, luz e sombra coexistiam em uma só presença no mar cósmico, chamado pelos antigos egípcios por Nun. Nun era incompreensível, único e inerente ao Todo. Esta era a introdução ministrada ao neófito nos centros iniciáticos de Heliópolis, Mênfis, Hermópolis e Tebas, acerca da criação.


imagesCAI6WDZWOs grandes mistérios transitavam entre o invisível e o visível, a partir do Nun incompreensível. A multiplicidade que conhecemos neste mundo material originava-se no Nun.


O criador possuía o impulso natural de conhecer a si mesmo. Com a realização de sua própria consciência houve a manifestação do poder original do coração: o khepri (escaravelho), que se transforma triplamente enquanto ovo, larva e ninfa, antes de alcançar sua maturidade e tornar-se no ser alado que é.


Os hieróglifos utilizados para relatar a história mítica dos centros iniciáticos do antigo Egito abrem a possibilidade de diversas interpretações. Revelam facetas diferentes do ciclo cósmico. O mais antigo texto religioso conhecido são os chamados “Textos das Piramides”, que foram encontrados nas câmaras mortuárias do sec. V e VI a.C. aaaaOs Textos das Pirâmides foram gravados em pedras com o objetivo de facilitar a passagem do Rei após sua morte, em busca de se tornar uma alma pura e luminosa: “Akh” .


Através de fórmulas mágicas é possível atrair os princípios funcionais ativos, chamados neterw, que são os poderes cósmicos básicos e vitais dentro do universo. Estes poderes cósmicos são entidades divinas, porém deve ser ressaltado que não são deuses. Esta cosmologia apresentada nos textos das pirâmides é certamente anterior à formação cosmológica conhecida dos Deuses do Antigo Egito.


Continua amanhã com Heliópolis.


Por. MP Nuno Maha.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Amuletos Mágicos Egípcios

Os amuletos são objetos fabricados de diversos materiais diferentes, que tem em principio o objetivo de proteger os vivos ou mesmo os mortos.

A palavra “amuleto” e de raiz arábica e tem como tradução “portar/carregar”, em suas origens eram principalmente utilizados para se protegerem de serpentes e animais perigosos, à de se lembrar que tais povos nômades do deserto eram muitas vezes pastores, e defender os animais era primordial.

Com o desenvolvimento da religião egípcia novas idéias e necessidades se apresentaram para a constituição de novos amuletos, e dentro destas novas idéias, a imaculação e guarda do corpo corruptível durante os ritos funerários, levou aos sacerdotes a possuírem uma relação direta de cada membro do corpo junto a um Deus, colocando cada membro sobre a proteção deste Deus relacionado, assim o corpo duplo, isto é material e espiritual estará protegido.

Se classifica normalmente os amuletos egípcios de duas formas.

· Os que tem inscrições

· Os que não possuem inscrições

Na era pré-dinástica egípcia os sacerdotes simplesmente recitavam orações enfrente aos amuletos ou mesmo pedaços de papiros. Quando se iniciou o processo de gravação de amuletos, buscava-se manifestar tanto o poder inerente do material utilizado, como também a intenção do amuleto requerido.

A palavra de poder mais antiga conhecida da cultura religiosa egípcia e os “hekau” que possuía uma importância impar dentro dos ritos de passagem de além vida, afinal o próprio Livro dos Mortos possui referencia de sua importância, demonstrando a necessidade de atrair para o morto tais influências mágicas.

Os amuletos mais antigos são normalmente feitos de xisto verde, como esta peça abaixo datada do sec. XXI ao XIX a.C, contemporânea da época bíblica de Moises que se encontra dentro dos arquivos arqueológicos que a Irmandade Polimata do Brasil possui em território nacional.

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Falemos então deste amuleto em questão o TET, ele representa o tronco da arvore em que a Deusa Isis, guardou o corpo de seu marido Osiris. As quatro linha representam os pontos cardeais. Dentro de sua simbologia se encontra a compreensão da reformulação e reconstrução do corpo físico de Osiris, possuindo relação direta a este Deus.

Este amuleto possui relação direta no Livro dos Mortos.

“ Levanta-te, ó Osiris! Tu tens a tua espinha, ó Coração Silencioso! Tens os ligamentos de teu pescoço e de tuas costas, ó Coração Silencioso! Coloca-te sobre tua base, eu coloco água debaixo de ti e trago-te um Tet de ouro para que possas rejubilar-te nele”

Livro dos Mortos Egipcio, Capitulo CLV

O Tet tinha que ser imerso em água de flores de ânkham antes de ser colocado no pescoço do falecido, ele desta forma dava poder para reconstruir o corpo de forma perfeita, para se tornar um khu, um espírito dentro do submundo. O Tet normalmente se encontra na mão esquerda da múmia, podendo ser de madeira, xisto ou ouro na maioria das vezes.

Por.   MP Nuno MNH

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sigilo Egipcio.

E evidente que dentro deste mundo dual material em que vivemos, existe uma necessidade inerente na criação a manifestação de opostos, como o eterno combate entre Hórus e Set, dentro da cultura mística egípcia, ao representar a eterna batalha que rege o universo.

Dentro do mundo mágico egípcio, se buscava evocar e ativar os poderes que regem a vida, através dos arquétipos Divinos que representam tais buscas pessoais. Assegurando assim boas energias em sua vida, afastando as catástrofes de ordem natural ou espiritual.

A palavra Kheper dentro da antiga língua egípcia o Kemet, possui varias designações tanto como o literal o inseto “escaravelho, besouro” como também toda a idéia de transformação em geral, seria como o termo transformar, como quando ele se manifesta dentro do primeiro raio de Sol, transformando a escuridão em luz. Verifique abaixo o poder do verbo junto a este principio, mítico, fonético e mágico.

imagesCACTMM4DAssim falou o Senhor de Todas as coisas.

“Kheper-i kheper kheperu kheper-kuy m kheperu

nKhepri kheper m sep tepy

Eu me transformei, a transformação se transformou , e eu me transformei ao

me transformar na forma de Khepri qe começou a existir por primeira vez.”

Aqui e declarado quem é o criador, o verdadeiro mago dentro da criação Suprema.

“Quando eu me transformei, as mudanças se transformaram, todas as metamorfoses (kheperu) chegaram depois de que eu tivesse-me transformado. Fiz quando quis neste mundo me dilatei nele, contra a minha mão, a sós, antes de que nada nascesse. Minha boca acudiu a mim e o meu nome foi Magia.”

imagesCA4NNUHTAo pronunciamos palavras (hu) estamos executando atos mágicos (heka), assim demonstra os antigos ensinamentos, por isso e muito importante entender o que sai de nossas bocas e mentes, pois tais pensamentos se transformam em palavras e as palavras de manifestam em ações e manifestações dentro deste plano material.

As qualidades manifestar no verbo a luz, conhecemos como magia, o conhecimento (sia) nos revela como equilibrar nosso lado guerreiro, desta forma Thot busca equilibrar as contentas entre Hórus e Set.

Somente dentro da luz do conhecimento podemos equilibrar estes dois pólos energéticos da manifestação magistica, mais do que magia negra ou branca, refletimos nossos corações e pensamentos em nossas ações.

Nossas palavras e ações se encontram como o resumo do que somos e o padrão energético em que estamos relacionados diretamente.

Atenciosamente,

MP Nuno MNH